segunda-feira, 11 de maio de 2015

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Obrigada por ter sido morno, por ter sido careta, por ter sido conservador.

Obrigada por restringir sexo ao quarto, por me respeitar em locais públicos, por achar inadequado apertar a minha bunda discretamente na escada rolante ou encostar em mim pra eu sentir o teu pau duro em lugar público. Obrigada por ser papai-e-mamãe, por me pedir pra cuidar com barulhos, por ser cauteloso. Obrigada por não fumar maconha porque queria curtir o sexo, e por não me deixar fumar maconha com medo de eu ficar sonolenta. Obrigada por cuidar a quantidade de álcool, por me pedir pra beber caipirinha ao invés de me deixar beber whisky. Obrigada por me policiar quando eu me apoiava no balcão pra pedir mais uma ceva, por dizer que aquilo não era coisa de mulher fazer. Obrigada por me criticar quando eu acendia meu cigarro com uma mão, segurava a cerveja com a outra e curtia o rock que tava tocando na noite - isso também não era coisa de mulher, ficava feio. O cigarro, hoje, concordo, era horrível. Mas te garanto que uma saia curta, os cabelos ruivos, o corpo gostoso e uma bota de cano alto apoiada na parede... Ah, só pra ti que era inconveniente. Obrigada por espantar os caras de perto de mim, por vir sempre marcando território. Obrigada por me fazer ir embora de festas porque tu já tinha ultrapassado o limite etílico que teu organismo aguenta. Obrigada por ter me tratado como uma rainha, como uma dama.

Se hoje fodo por todos os cantos, se não vejo problema em demonstrar tesão na frente dos outros, se gosto que me façam puta na cama, vagabunda nos cantos, me comam onde bater o tesão; se hoje fumo baseado e bebo o que eu quiser, se uso saia curta com ou sem calcinha, se apoio a bota na parede ou prenso um cara sem receio contra uma perde; se hoje eu sei o que eu não quero, devo a ti. 

Me trata como menina, como mulher. 
Mas me deixa ser putavagabunda quando eu quiser. 
Isso não é perder o respeito. 

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